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Salvador,02/07/2026

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Alto do Cabrito fica mais um ano fora dos festejos oficiais do 2 de Julho mesmo sendo símbolo da Independência da Bahia


Alto do Cabrito fica mais um ano fora dos festejos oficiais do 2 de Julho mesmo sendo símbolo da Independência da Bahia

Enquanto Salvador celebra mais um 2 de Julho com grandes desfiles, apresentações culturais e homenagens aos heróis da Independência da Bahia, moradores do Alto do Cabrito, no Subúrbio Ferroviário, voltam a denunciar a exclusão da comunidade das programações oficiais da festa mais importante do povo baiano.

O sentimento de abandono cresce principalmente porque o nome do Cabrito faz parte da própria história da Independência da Bahia. Foi na região do Cabrito e Pirajá que aconteceram batalhas decisivas em novembro de 1822, confrontos que abriram caminho para a vitória definitiva do povo baiano em 2 de Julho de 1823.

A importância histórica da localidade é tão grande que o tradicional Hino ao 2 de Julho, atual hino oficial da Bahia, cita diretamente a região:

“Nasce o Sol a 1º de Julho
Brilha mais que o primeiro clarão
É a glória de luta e conquista
De Cabrito a Pirajá”

Mesmo carregando esse peso histórico e simbólico, o Alto do Cabrito segue fora da grande programação oficial promovida pelo poder público. O tradicional cortejo com os carros do Caboclo e da Cabocla continua concentrado no Centro Histórico de Salvador, entre a Lapinha e o Terreiro de Jesus, enquanto bairros do Subúrbio acabam esquecidos quando o assunto é investimento cultural e valorização da memória local.


Moradores, lideranças comunitárias e artistas da região questionam a ausência de ações mais fortes no território que ajudou a construir a Independência da Bahia. Para muitos, não basta apenas citar o nome “Cabrito” no hino enquanto a comunidade permanece invisível durante os festejos oficiais.

“Todo ano a história é lembrada, o hino toca, Cabrito é citado, mas aqui seguimos sem grandes eventos, sem investimento cultural e sem reconhecimento à altura da nossa importância histórica”, relata um morador antigo da comunidade.

Apesar da falta de inclusão na programação principal, o Subúrbio resiste mantendo viva sua memória através de iniciativas locais, como saraus culturais, apresentações artísticas e o tradicional Festival de Arte do Alto do Cabrito, realizado por moradores e grupos culturais da própria comunidade.

A população defende que o Alto do Cabrito merece fazer parte oficialmente do calendário cívico do 2 de Julho, com investimentos em cultura, preservação histórica, eventos educativos e valorização dos artistas locais. A cobrança também inclui a criação de projetos permanentes que contem a verdadeira participação do Subúrbio Ferroviário na luta pela Independência da Bahia.

Para muitos moradores, reconhecer o Cabrito apenas nas letras do hino já não é suficiente. O que a comunidade pede é respeito, visibilidade e participação real nos festejos que celebram uma história da qual o bairro também é protagonista.

O Suburbano Viu seguirá acompanhando a discussão e ouvindo moradores, lideranças e autoridades sobre a valorização histórica do Alto do Cabrito dentro das celebrações do 2 de Julho.




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